Barolo

O conhecido vinho se torna ainda melhor quando se conhece o local de origem. Nenhum dos Barolos provados desagradou, nem mesmo aqueles de produtores massificados, pelo contrário, também apresentavam aquela elegância que os caracteriza.

São várias as vilas na região. Barolo é uma delas, e todas são charmosas. Várias delas produzem o famoso vinho, como Monforte d’Alba, na foto com as indicações. As Langhe (colinas), como é chamada a região, são de uma beleza incrível!

Aqui, os Barolo produzidos pelo Diego Conterno, disponíveis no Brasil. É um produtor pequeno, familiar, de um nome conhecido na região, são vários Conterno produzindo maravilhas. Utilizam a técnica tradicional, envelhecendo o vinho em grandes tonéis de carvalho da Eslavônia. (Há quem se engane e diga Eslovênia, o país. Eslavônia é uma região na Croácia, que produz o carvalho dos tonéis utilizados no Piemonte.)

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Publicações sobre vinhos afirmavam que as safras boas recentes em Barolo foram 2004 e 2010. Ao provar este 2011, veio imediatamente “tem mais uma!” Mais tarde, encontrei outros exemplares, entre 2004 e 2010, que estavam igualmente excepcionais.

Acima, dois Barolo dos Diego Conterno, ambos maravilhosos. Um deles, um assemblage de vinhedos locais, por assim dizer pois não vem de um único vinhedo. O outro, Ginestra, de um vinhedo específico de mesmo nome, uma Menzione Geografica Aggiuntiva, uma demarcação de vinhedos que abrange todas as Langhe. Algo como os Climats de Borgonha. Mas Barolo não classifica os vinhos, como Borgonha o faz (Grand Cru, Premier Cru, Village, Regional). Estão certos – melhor não classificar, só irá causar confusão. As tentativas não tem dado certo na Itália e até mesmo na França que tem os seus contraexemplos, como por exemplo o Rhône do Norte. É claro, as grandes Borgonha e Bordeaux estão entre as regiões muito claramente classificadas e que deram certo.

Um dos grandes expoentes de Barolo – Bartolo Mascarello. Produtor pequeno e tradicionalíssimo. O vinho é simplesmente maravilhoso! Se um desses cruzar o seu caminho, aproveite!! Não são muito fáceis de encontrar, mesmo no Piemonte.

Dica 1: em Miami, encontra-se esta maravilha em um bar de vinhos – Lagniappe http://www.lagniappehouse.com . Ao menos está no cardapio. Vale o preço elevado, vá com amigos para compartilhar.

Dica 2: No Piemonte, o excepcional restaurante Del Belbo da Bardon, em San Marzano Oliveto, com uma boa adega, tem este vinho, inclusive em safras mais antigas.

Os vinhos da foto da direita não são para mortais.

A charmosa Barolo, onde fica a Bartolo Mascarello e tantos outros produtores excepcionais.

Lá também está a Francesco Boschis, onde foram provados um delicioso envelhecido de 1998 e outro da safra recente de 2011, também saboroso – mas diferentes entre si. O 1998, além de apresentar os taninos mais amaciados (vai mais longe, como todo Barolo, são vinhos de longa guarda), cor terracota e as usuais características de vinhos mais envelhecidos, estava mais encorpado, mais austero. Seria este um dos Barolo do passado? Sempre passaram a ideia do Barolo como sendo um vinho muito encorpado, concentrado, para “acompanhar carnes de caça e queijos maduros” (como vem em textos europeus traduzidos). Não é. É incrivelmente balanceado, equilibrado, agradável. Ou, como frequentemente o denominam, mais “masculino” em comparação ao vizinho Barbaresco, que é mais “feminino”. Também não é. Provando todos esses no local de origem, essa conotação deixa de fazer sentido. Ambos são complexos, ambos são elegantes e cada um tem as suas características próprias – são maravilhosos!

O Francesco Boschis 2011 é de Cannubi, uma menzione geografica aggiuntiva, que fica nos arredores da cidade de Barolo.

Próximo a Cannubi está a Fratelli Serio e Battista Borgogno,

que produz excelentes vinhos, inclusive este exemplar Barolo de Cannubi. Algo que desagradou foi a visita ao local e a degustação, paga (até aí, nenhum problema) mas conduzida com uma pressa desagradável. Mas esse deslize não invalidou a qualidade destes vinhos.

Em uma das fotos acima, está o castelo de Barolo. Há um interessante museu com instalações de artistas sobre o tema de vinhos. Ao final da visita, pode-se degustar vinhos em uma Enomatic:

Aqui, dois excelentes Barolo de menzione geografica aggiuntiva: Negretti 2011 (Bricco Ambrogio) e o conhecido Fratelli Alessandria 2008 (Gramolere).

Na charmosa La Morra, os Barolo produzidos pelo Mario Marengo. Também já chegam no Brasil.

Uma verticalzinha dessas maravilhas. dois 2011 e – en primeur – 2012!

O primeiro não é de menzione específica. O segundo de Bricco dele Viole. O terceiro, que ainda tinha mais tempo para descansar na garrafa antes de sair, era de Brunate. Os três distintos e muito, muito bons!

Em Grinzane Cavour, um Barolo Terre del Barolo 2011 para acompanhar um clássico coniglio do local. O Barolo acompanhou muito bem a carne de coelho – “Só combina com caça”?

Segue-se uma visita ao castelo, em um dia lindo:

Voltando das Langhe dirigindo, depois de algumas taças é preciso um pouco de cuidado devido à neblina local – aquelas da serra do Mar e de San Francisco são fichinha…

LK

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